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10 janeiro 2007

"The Academy of Football" , um viveiro de talentos

The Academy of Football é um dos nomes pelos quais é conhecido o clube Londrino West Ham United.
Longe do sucesso de outros clubes britânicos, os “Hammers” não contam no seu currículo com a conquista de um título de campeão Inglês, no entanto, não é só de títulos que vive a história de um clube, como tal o West Ham é internacionalmente reconhecido por outros feitos, feitos esses que têm contribuído imenso para o aumento qualitativo do Futebol Inglês.

The Academy of Football foi uma “alcunha” criada pela imprensa britânica que caracteriza e reconhece a enorme reputação que os Hammers gozam em relação á formação de talentosos jogadores ingleses, assim como o futebol agradável e de pé para pé que sempre caracterizou este clube Londrino ao longo da sua história.

Na realidade, um dos grandes orgulhos dos adeptos do West Ham é o facto de possuirem uma das melhores e mais afamadas escolas de formação do Reino Unido, fama essa que permite ,hoje em dia, serem reconhecidos como uma referência internacional na formação de talentos.


História



O termo foi pela primeira vez usado, no reinado de Ron Greewood como treinador do West Ham (1961-1974). Nessa altura, três jogadores que haviam sido formados no clube estavam a ter grande sucesso na Selecção Inglesa: Bobby Moore, Geoff Hurst e Martins Peters, atletas esses que acabaram por fazer parte da “armada” Inglesa que venceu o Mundial.
Moore capitaneou a selecção (Pélé ,anos mais tarde, afirmou que o Ingles tinha sido o melhor defesa contra quem já tinha jogado), Hurst apontou um hattrick na final contra a Alemanha, e Peters apontou o outro golo.
O feito destes três atletas valeu ao West Ham uma enorme fama, que iria perdurar por muitos e bons anos.




Nos 30 anos seguintes, o clube continuou a produzir ,na sua Academia, jogadores que acabariam por se tornar “notáveis” do Futebol Inglês.
Frank Lampard Senior e Sir Trevor Brooking, os quais conquistaram a FA Cup em 1975, conseguindo o feito de ser o único clube a conquistar o troféu com uma equipa composta apenas por jogadores Ingleses.

Paul Ince, que viria a conquistar vários troféus ao serviço doMan Utd, estreou-se no futebol profissional com a camisola do West Ham em 1986.

Dez anos mais tarde, na “youth team” dos Hammers brilharam nomes como Rio Ferdinand e Frank Lampard jr.
Nesse ano o West Ham chegou á final da FA Youth Cup perdendo frente ao Liverpool, então liderada pelo fantástico avançado Michael Owen.

Em 1999, o West Ham volta a produzir talentosos jogadores, os quais venceram a FA Youth Cup frente ao Coventry. Brilhavam então com a camisola dos “Hammers” Joe Cole, Michael Carrick e Jermaine Defoe.

Recentemente, os mais sonantes jogadores lançados pela “Academy of Football” foram Anton Ferdinand, Glen Johnson, Elliott Ward e Mark Noble.


A importância da Academia

Hoje em dia a Academia é uma parte importante da identidade do clube e uma fonte de jogadores para a equipa profissional.
Com a descida de divisão em 2003, o West Ham entrou em colapso financeiro e só a venda das grandes estrelas formadas na sua Academia evitou a falência do clube. Muitos analistas e comentadores futebolísticos crêm que se o West Ham tivesse tido capacidade para manter essas estrelas, seriam, hoje em dia, um dos melhores clubes de Inglaterra.

Com a subida de divisão em 2005, o West Ham voltou ao patamar maximo do Futebol Inglês, e para tal feito, três jogadores da sua Academia foram fundamentais: Anton Ferdinand, Elliot Ward e Mark Noble.


“Hammer Baby´s” alvo do assédio dos grandes clubes Ingleses

Em Inglaterra é quase considerado um “casestudy” – os atletas do West Ham são alvo de um assédio constante por parte dos grandes clubes Ingleses.
No fundo, o West Ham é visto como uma fonte de jogadores de qualidade, como tal os grandes Ingleses não se imiscuem em pagar fortunas por algumas das jovens “pérolas” formadas no clube Londrino.

Este “casestudy” tem o seu início com a venda de Rio Ferdinand ao Leeds Utd em 2000. Desde então mais 6 “Hammer Baby´s” foram vendidos entrando nos cofres do clube Londrino qualquer coisa como 50 milhões de libras (incluindo a venda de Rio Ferdinand por 18 que mais tarde se viria a transferir por 30 para o Man Utd).
É sem dúvida uma soma de dinheiro muito superior á que o clube gasta para se reforçar, e a verdade é que os atletas que têm saído da Academia têm conseguido alcançar grande sucesso em clubes como Liverpool, Chelsea ou Man Utd.

Contudo, e apesar do assédio dos clubes citados, o clube está a operar uma diferença na sua política. Está em marcha uma tentativa de salvaguarda das jovens estrelas do clube tais como Dean Ashton, Etherington ou Nigel Reo Cocker, assim como os “filhos” do clube: Mark Noble ou Anton Ferdinand, assim como jovens que vão cintilando na “youth team”: Hogan Ephraim e James Tomkins.

Também a Selecção Nacional Inglesa “sente” a eficiência do trabalho realizado na Academia do clube Londrino.
Rio Ferdinand, Paul Konchesky, Michael Carrick, Frank Lampard, Joe Cole e Jermaine Defoe, são alguns dos jogadores formados nos “Hammers” que regularmente ou a espaços fazem parte da principal selecção Inglesa, e


Principais “graduados” da Academia

Bobby Moore – Capitaneou o West Ham na conquista de uma FA Cup e de uma Taça das Taças, assim como a conquista de um Campeonato do Mundo por parte da Inglaterra.
Foi estrela do clube durante os anos 60.

Sir Geoff Hurst – Mantem-se como o único jogador a conseguir um Hattrick numa final de um Mundial de Futebol, tendo sido decisivo na conquista do Mundial de 66.
Nomeado Sir em 1988, apontou 252 golos em 499 jogos pelo West Ham.

Martin Peters – Foi também ele decisivo na conquista do Mundial de 66, apontando um dos golos da final. Atleta do clube Londrino durante os anos 60, transferiu-se numa soma record para o Tottenham já nos anos 70.

Frank Lampard Sr – Conquistou a FA Cup pelo clube em 1975 e 1980, actuando em 660 jogos pelos “Hammers”.

Sir Trevor Brooking – Actuou em mais de 600 partidas pelo clube ,entre 1967 e 1984, conquistando duas FA Cups.
Em 2003 foi nomeado como Director do futebol de formação na Football Association.
Em 2004 foi nomeado Sir.

Paul Ince – Actuou em 72 partidas pelo clube até se transferir em 1989 pelo Manchester Utd por 1 milhão de libras. No Man U, alcançou um grande sucesso e diversos títulos, como dois campeonatos, uma Taça das Taças, uma Supertaça Europeia, etc.

Rio Ferdinand – Alcançou a sua primeira internacionalização em 1998, e em 2000 tornou-se no mais caro defensor do Futebol Inglês na sua transferência para o Leeds.
Em 2002 tornou-se no mais caro futebolista Britânica, assim como no mais caro defensor do Mundo, ao transferir-se para o Man Utd.

Frank Lampard jr. – Estreou-se pelos Hammers em 1999, transferindo-se para o Chelsea em 2001, numa transferência orçada em 11,5 milhões de libras.
Hoje em dia é considerado um dos melhores jogadores Mundiais.

Joe Cole – Na Academia foi considerado um dos mais talentosos jogadores que já haviam passado pela mesma, criando uma grande expectactiva nos dirigentes e adeptos. O seu talento não passou despercebido ao Chelsea que o contratou em 2003 por 7 milhões de libras.
Depois de alguma irregularidade, que quase lhe valeu um empréstimo ao Spartak Moscovo, é sob a liderança de Mourinho que Joe Cole acabou por esplanar todo o seu talento.

Michael Carrick – Depois de demonstrar muita qualidade no West Ham, transferiu-se para o Tottenham antes de se transferir para o todo poderoso Man Utd, já em 2006.

Jermaine Defoe – Defoe começou a sua carreira no Charlton transferindo-se para o West Ham em 1999, com 17 anos de idade. Em 2003 rumou ao Tottenham numa transferência avaliada em 7 milhões de libras.


Outros famosos

Algumas outras estrelas britânicas passaram pela Academia do West Ham, sem contudo terem chegado a jogar pela equipa principal.
Nomes como Kieron Richardson, John Terry ou Sol Campbell experimentaram a maestria e qualidade do trabalho da Academia.




A certeza que fica é que no futuro iremos falar de mais jogadores de nível internacional, uma vez que a aposta do clube na sua Academia é contínua e o trabalho efectuado não deixa margem para dúvidas: é excepcional.
Se é verdade que o futebol tecnicista e de pé para pé já não é uma característica apenas sua, devido sobretudo á "latinização" do Futebol Inglês, uma coisa é certa: nenhum outro clube Britânico tem uma escola de formação com a qualidade e os resultados da dos "Hammers".

05 dezembro 2005

Escola de Formação do Ajax (continuação)

Continuação……..


Visto como se desenrolou a evolução da escola do Ajax, vamos agora incidir sobre ideologias, organizacao , etc…

O Ajax estabeleceu uma ideologia e uma visão chave que marca toda a organização e toda a estutura montada em torno da formação.

Ideologia: Jogar futebol organizado e colectivo, atractico e de ataque para ganhar sempre.

Visão/objectivo: Propiciar condições óptimas de aprendizagem aos atletas para estes, mais tarde, atingirem os objectivos Nacionais e Internacionais do Clube, na alta competição.


Guiando-se por esta idelogia e este objectivo, o Ajax criou um sistema de organização interno.

Assim num lugar de chefia temos o Director Geral, que assumo o controle e a chefia de tudo o que se passa em termos de formação no clube. Abaixo do director geral existem outros sub directores mais específicos, e alguns ícons chave para a organizacao desta maquina.

Assim temos na área de Prospecção, um sub director, olheiros, os próprios treinadores (pois também lhes cabe a eles verem jogos em busca de talentos) e ainda uma relação com os seleccionadores da área (estes ao seleccionarem os melhores miúdos da sua área..sabem também quem são os grandes valores a dispontarem).

Na área da Formação, temos coordenadores dos escalões de formação, treinadores , delegados da equipa (que no Ajax têm obrigatoriamente que falar a língua do treinador e a língua do director geral) , e além destes postos será necessário uma relação próxima cm as selecções para conseguir os calendários do clube com os da selecção e também os métodos de treino de ambos para não haver choques de interesse.

Na área de Organização, foca-se tudo o que seja infrastuturas. Ou seja, para haver evolução dos jovens terão que haver as infrastruturas mais indicadas e boas instalações.

Na área Medica , tem-se em atenção todo o staff de acompanhamento médico. Além do staff, as políticas médicas a adoptar, todo o material necessário para desempenhar da melhor forma as suas funções…etc. É vital num “universo” de tantos atletas, ter um departamento médico eficaz e responsável…principalmente por estarmos a falar de atletas que ainda são miúdos.

Na área de Formação de treino tem-se como missão incutir as normas do clube, os métodos aplicados pelo clube, procurar talento dentro da massa humana que o clube tem, e procura-se uma capacidade de seleccionar constantemente os melhores. Esta selecção é feita apartir de variadíssimas formas de avaliação.

A área de Staff Técnico é vital para o sucesso deste projecto. Assim sendo criaram-se requisitos mínimos para todos aqueles que venham a integrar este staff: Têm q ter coração para os jovens, ou seja, vontade de trabalhar com eles e de lhes propiciar condições para que estes se tornem grandes jogadores. Têm que ter personalidade forte e séria. Têm que ter vontade de vencer. Têm que ter historial como Futebolista..especialmente do Clube. E têm que ter a consciência que críticas apenas se fazem dentro de portas, não para fora..para o exterior.

Por fim, na área da Coordenação, dá-se relevo a conseguir conjugar os aspectos de infrastuturas , com a vertente medica, com a vertente organizacional…etc.


Só com esta espécie de organigrama, a maquina consegue estar “oleada” e a funcionar correctamente.
A organização é uma permissa chave para o sucesso do Ajax, e é a grande lacuna na maioria dos clubes.

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Vista a organização convém frisar outras ideologias:

O Ajax tem como ideologia incutir inidivualmente tarefas em função da equipa (onde mais uma vez o individual se subordina ao colectivo..dando algo mais do que o todo).
Assim a cada jogador é incutido a necessidade de exercer funções defensivas e ofensivas, e onde cada jogador deverá saber desempanhar duas funções (ou por outras palavras ..posições) diferentes.

Dá-se muita enfâse á transição defesa-ataque. Estra transição deve estar alicerçada em 2 pressupostos. A equipa deve defender coesa e fechada, e á medida que a transição vai sendo feita…deve abrir e explanar os jogadores por todo o campo, no entanto, calmamente e sem precipitações para não propiciar contra-ataques adversários.



Por outro lado, cria-se objectivos consoante a idade, Até aos 14 anos procura-se mais alicerçar os aspectos técnicos e as bases de jogo…passando a preocupação posteriormente e gradualmente para aspectos como o táctico, o físico, a personalidade e profissionalismo dos jogadores.

Ou seja dos 8 aos 14 anos a preocupação é ensinar as bases do futebol e as bases técnicas do mesmo aos jogadores. Dos 15 aos 18 existe uma maior preocupacao em preparar os jogadores para o futebol profissional, através de trabalho de treino mais espeficico.



Por fim, falta incidir a minha análise também no treino de formação do Ajax.
Este é feito por passos e com exercícios variados de treino.


1º passo: trabalhar agressivamente e exaustivamente o passe-recepção, pois estes 2 gestos são os gestos fundamentais do futebol, pois este é um desporto colectivo.

2º passo: Após solidificado o 1º passo, passa-se para uma vertente mais complexa do passe. O passe com combinação (tabelas até á finalizacao dos lances)

3º passo: Após os gestos técnicos estarem alicerçados, passa-se ao Jogo Posição. Ou seja, a exercícios que estimulem nos atletas a noção de posicionamento no terreno.

4º passo: Após os atletas terem uma noção de posicionamento no terreno, passa-se para o Jogo de Posição em jogo. Ou seja, procura-se que estes dinamizem os seus posicionamentos conforme as características de um jogo (são utilizados exercícios de 2 para 1, de 4 para 2 e de 6 jogadores para 3, com algumas nuances praticas)

5º passo: Jogos de posicionamento (são utilizados exercícios de 6 contra 6)

6º passo: Linha Posicional. Os jogadores começam a treinar o seu posicionamento enquanto um colectivo. Os centro campistas (como exemplo) passam a exercitar o seu posicionamento enquanto bloco do meio campo…onde o colectivo passa a ser mais importante que o individual.

7º passo: O ultimo passo refere-se á Movimentação estratégica. Os jogadores aprendem as movimentações estratégicas da equipa para que o colectivo ganhe qualidade e para que se sobreponha definitivamente sobre o individual.

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Fica aqui uma visão sobre tudo o que envolve a Escola de Formação do Ajax.
Desde a sua evolucao, á organizacao, filosofias e objectivos e até conjuntos de exercícios de treino.

Depois de toda esta análise, fico ainda mais convicto que a Escola de Formação do Ajax é ,de facto, a melhor de todo o planeta.

Escola de Formação do Ajax

O Ajax, internacionalmente sempre foi o meu clube de eleição.
É um clube organizado, com estratégias claras, e sobretudo com uma grande “cantera”, e uma filosofia de formar jogadores.

Assim, sendo interessa saber como nasceu esta “Escola de Formação” , como se organiza , e o que a torna tão especial e tão única.

A Holanda como selecção, conheceu um período de Ouro de 74 a 78, onde liderada com jogadores como Cruyff , Neeskens , etc…atingiram a final de um Mundial de Futebol. Convém ainda salientar o nome de Rinus Michel um dos melhores treinadores da historia do Futebol Mundial.

Este sucesso da selecção Holandesa , poderia significar um ponto de partida para o crescimento e afirmação dos clubes Holandeses da altura , mas como até na altura o dinheiro é um ícon chave do Futebol , as equipas Holandesas viram partir dos seus clubes os seus grandes jogadores , pois o dinheiro oferecido pelos “tubarões” de Itália, Espanha, Alemanha, Inglaterra etc….era demasiado alto para resistir.
Foi neste contexto de desertação das grandes estrelas dos clubes Holandeses que surgiu a ideia de criar uma Escola de Formação.
Seria a única maneira dos clubes Holandeses conseguirem ter equipas competitivas e ciclicamente com bons valores.

Assim sendo, o Ajax foi o pioneiro nesta aposta. Pós em prática a permissa anteriormente explicada e esperou por resultados práticos.
Para liderar a escola de Formação, foi criado um posto…o director geral. O director geral tinha como missão coordenar todos os aspectos da formação. A boa ou má gestão deste director seria fundamental para o sucesso ou não deste projecto.

Assim, para liderar o projecto foi chamado um grande senhor do Futebol Holandês , Leo Bennhaker, conhecido em todo o Mundo do Futebol.
Leo, considerou que para se encontrar talento para posteriormente se trabalhar, seria necessário criar uma rede de prospecção na cidade de Amesterdão, como forma de “pescar” os melhores valores da Cidade. Entre os valores encontrados salientam-se a título de exemplo: Kieft e Rijkaard ..2 jogadores de sucesso na selecção Holandesa.

A Leo Bennhaker, que seguiu o seu brilhante trajecto como treinador, sucedeu o também conheço Aro de Mos.
De Mos em termos gerais , considerou que para haver ainda mais talento as equipas jovens do Ajax, seria necessário alargar a prospecção, não somente á cidade de Amesterdão mas também aos seus subúrbios (num raio de 30..40 kms). Nesta época também foram encontrados jogadores famosos como Vanenburg ou o lendário Van Basten.

No entanto, estaria para ser indigitado o director geral que acabaria por mudar o Ajax e o Futebol Mundial. Alguém que pela sua genialidade marcou uma era e estava pronto para marcar uma outra, como director geral de formação.
Assim, o 3º director de formação do Ajax foi Johan Cruyff auxiliado pelo nosso bem conhecido Tony Bruins Slot (técnico adjunto do Benfica).
Cruyff era um sonhador, mas mais impressionante que isso transformava sonhos em realidade. Assim sendo, não foi de estranhar que tenha implementado inovações e mudanças que marcaram o Futebol para sempre.
Entre estas inovações vou citar algumas.
A 1ª das quais, refere-se á ideia dos talentos a ser “pescados”. Cruiyff considerava que aos 8,10 anos um miúdo já teria as características necessárias para começar a ser trabalhado e para começar a jogar futebol. Assim, foi ele quem decidiu começar a “pescar” talentos apartir dos 8 anos e a integra-los na escola de Formação, como forma de ainda precocemente serem trabalhados para darem futuros grandes jogadores.
O holandês considerava ainda que 1 ano de diferença entre 2 jogadores ainda na formação fazia diferença, e que os mais velhos levavam vantagem sobre os mais novos, assim sendo, tornou obrigatório que em todos “os anos de idade” houvesse 1 plantel completo de pelo menos 16 jogadores (o que veio dar origem ás equipas A e B de fada escalão).
Por detrás de uma boa formação estão necessariamente bons treinadores. A partir desta permissa , Cruyff estabeleceu características especificas para os treinadores de formação, consoante os escalões onde estes trabalhavam, ou seja, até aos sub-14 os treinadores deveriam assumir uma relação com os jogadores quase de pai para filho, pois estes ainda se estariam a formar enquanto indivíduos, e os seus níveis psicológicos ainda não seriam os mais desejáveis. Dos sub 15 aos sub 16, os treinadores deveriam enveredar por uma postura disciplinadora, pois os miúdos estariam no auge da adolescência que é sinonimo de alguma rebeldia. Nos juniores, os treinadores deveriam dominar a estratégia e planificação, assim como dominar a nível táctico, para facilitar a transição da formação para o Alto Rendimento.

As inovações de Cruyff não ficariam por aqui.
Sofrendo influencias de desportos americanos Cruyff criou treinadores específicos, ou seja, Cruyff reparou que no Baseball existiam técnicos apenas e só para o batimento ou para receber a bola. Assim, adaptou essa ideia ao Futebol e criou o posto de Treinador de Guarda Redes, o posto de preparador físico e até treinadores por sectores(defensivo ,médio e avançado). Esta inovação ainda hoje vigora no Futebol Mundial.
Por ultimo, este génio Holandês considerou que a cristalização de um modelo de jogo, que perdurasse desde as escolinhas até aos seniores, resultaria numa mecanização perfeita, interiorizada pelos jogadores desde muito novos, o que os levaria a jogar quase de olhos fechados, e lhes facilitaria a transição do futebol jovem para o futebol profissional.
Assim, numa primeira fase foi adoptado um 4-3-3. No entanto, Cruyff e o seu olho clínico, constactou que com esse sistema tácticos os miúdos de 10,11 anos..por jogarem algo distantes uns dos outros, não conseguiam fazer mudanças de flanco, cansavam-se mais depressa e deixavam muito espaço livre no terreno.
Entou criou um outro sistema táctico, até hoje famoso, baseado em “triângulos imaginários” que provocariam sobretudo uma maior aproximação entre todos os jogadores o que facilitaria a constante troca de bola..para materializar as mudanças de flanco e permitiria menos desgaste aos defesas e menos espaços abertos para os adversários aproveitarem. Criou assim o 3-4-3. Este 3-4-3 no entanto, não convencia a crítica que considerava que em Futebol de alta competição não teria resultados práticos, e seria até desastroso. Mas Cruyff no Barcelona provou que este sistema pode dar frutos.

A Cruyff sucedeu alguém com estudos sobre Futebol, chamado Louis Van Gaal (ex treinador do Barcelona). Van Gaal tinha formação, e foi ele que criou várias alterações e inovações a nível de treino.
Van Gaal criou um plano de treino capaz de ser utilizado em todas as camadas jovens (desde os 10 aos 18).

A Van Gaal, sucedece o nosso conhecido Co Adriaanse (treinador do FC Porto). Adriaanse como professor de Liceu, considerava que os Estudos também era importantes na formação de um atleta.
Assim criou um Horário para todos os jogadores da formação que contemplasse estudos e treinos.
Os jogadores iriam assim para a escola até ao fim da tarde, e no fim das aulas…esperaria por eles uma carrinha para os transportar até ao campo de treinos. Chegados lá, seriam divididos por escalões de formação(naturalmente)..mas com um duplo objectivo. Ao dividi-los, enquanto por exemplo os juvenis estariam a treinar, os iniciados durante essa hora, hora e meia teriam hora de estudo obrigatória. Após o treinado dos Juvenis…trocariam, ou seja, os Iniciados treinariam e os juvenis teriam a tal hora obrigatória de estudo.
À noite todos jantariam juntos (para fortalecimento do grupo) e só depois cada 1 seguiria para casa, já sem tarefas para executar, podendo descansar o mais possível.
Adriaanse tornou as preocupações das escolas de Formação do Ajax mais abrangentes que o futebol em si, incidindo estas…também nos estudos, como forma de formar atletas..claro, mas também Homens!

Após Adriaanse seguiram-se 2 directores que deram continuidade a estas filosofias e que nada inovaram.
Até chegarmos a Danny Blind.
Blind considerou que estaria apenas disposto a incidir o seu trabalho sobre o trabalho de campo e apenas ao que o Futebol diz respeito.
Assim dividiu os aspectos organizativos em 2 grupos. A formação em si e a prospecção de talentos ficariam na sua tutela, no entanto, o aspecto organizacional e o aspecto médico ficariam sob a tutela de outra pessoa.


Como podemos constatar, a evolução da escola do Ajax para chegar á “quase perfeição” que é hoje, foi feita por ciclos, e através de cunhos pessoais e ideologias próprias dos directores que foram passando pelo Clube.
O Ajax ,hoje em dia, pode-se orgulhar de ser a maior escola de Formação do Mundo, e mesmo esta filosofia de aposta em jovens, não os arreda dos títulos internacionais, como provaram com a geração de Seedorf,Davids,Overmars..etc, que se sagrou campeã Europeia.

É obvio que montar uma escola desta envergadura tem custos elevados, mas o retorno em venda de jogadores de qualidade é bastante superior, o que permite ao Ajax ser um clube auto suficiente e sempre com o futuro garantido.

Num próximo post, veremos filosofias , ideologias e aspectos organizacionais desta escola de formação Holandesa.

29 março 2005

Futebol Jovem..Carraça dirigente do futuro!

Olá!
Hj estava a ler um jornal desportivo que nem sequer tenho o habito de ler (a bola) e mal olhei para a capa fiquei logo com a curiosidade de ler a entrevista do António Carraça, pois é um homem que me parece serio,honesto, que sempre defendeu os interesses dos jogadores e que actualmente me parece ter excelentes ideias em relação ao futebol de formação.
Quando acabei de ler a entrevista fiquei ainda mais admirado com a qualidade deste dirigente desportivo.
Como voces devem ter reparado é muito raro eu elogiar dirigentes desportivos. Excepções feitas ao senhor José Roquete, um hábil estratega financeiro, o qual demonstrou como presidente do Sporting ter ideias inovadoras e sólidas sobre toda a política financeira do clube. A sua lacuna era sem dúvida o conhecimento por dentro dos meandros do futebol. E aqui surge Luis Duque, um homem de convicções, de palavra séria, muito bom gestor de recursos humanos e com "olho vivo" para o futebol. Foram Roquete e Duque que devolveram a alegria aos adeptos Sportinguistas, e caso a Juve Leo não tivesse cometido o erro crasso de rejeitar José Mourinho, a história recente do Sporting teria sido ainda mais gloriosa.
Á excepção destes 2 senhores, nunca fui de elogiar dirigentes, não por má vontade, mas sim pq realmente não vejo ideias inovadoras e consistentes dos mesmos.
Mas hoje abro novamente uma excepção. Quem leu as minhas crónicas anteriores sabe que eu sou um apaixonado por futebol de formação, por políticas de formação e pela prospecção e lançamento de jovens valores. Para mim, essa é a parte que mais me encanta no futebol e talvez por isso apesar de não ser Sportinguista tenha um carinho especial pela cantera do Sporting e sobretudo pela grande cantera do Ajax.
Cantera do Sporting pq tem uma boa rede de prospecção, um bom centro de estágio, vital para para por em pratica e dar consistencia á politica de formação, e pq tem uma política de aposta nas jovens promessas.
Ajax, pq tem uma estrutura na formação montada, já com vários anos, de muito sucesso e com um rigor fabuloso. É sem dúvida a melhor escola de formação do Mundo.

Por todo este carinho pelo futebol de formação falo aqui de António Carraça e a sua Geração Benfica.
O projecto de António Carraça não é novo, mas em Portugal é quase revolucionário.
Primeiro e penso que é chave deste projecto, a criação de um "perfil" base para cada função do staff do futebol de formação. Só através da criação deste perfil é que so torna possível enquadrar todos os elementos do futebol de formação em torno dos objectivos estabelecidos evitando choques de ideologias e de metodos. É necessário criar um perfil mais ou menos rígido de treinador de formação, de chefes de prospecção, de olheiros, mas não só...também de médicos,massagistas etc. E como "numa empresa" queremos maximo rendimento, é necessária a criação de um metodo de avaliação deste mesmo staff de forma a ser possível substituir o mais rapidamente possível os elos mais fracos, pq como Carraça diz..neste mundo competitivo só os capazes sobrevivem.
Traçado o perfil e metodo de avaliação do Staff, é necessário montar uma rede alargada e bastante extensa de prospecção e análise de talentos quer a nível nacional, quer a nível mundial (se vivemos numa aldeia global é necessário espandir os nosso horizontes dessa forma). Se a nível nacional é mais simples, a unica dificuldade será encontrar gente capaz e eficiente para as observações, a nível mundial é um pouco mais complicado, e aí agradou-me imenso esse ponto do projecto Geração Benfica. A correlação com escolas um pouco por todo o Mundo, permite aquilatar a qualidade de muitos jovens distribuídos pelo Mundo inteiro, principalmente quando o orçamento é reduzido e não permite ter um numero de "staff" muito grande. A nível nacional essa estratégia e a colaboração através de assinaturas de protocolos com associações e pequenos clubes também facilita e estende a taxa de cobertura da prospecção de um clube. Para assinar esses protocolos ás vezes só é necessário dar em troca bolas e pouco mais.
Montada a rede de prospecção, é necessário criar relatórios tipo e fichas tipo de modo a que a informação da prospecção seja mais facilmente analisada e direccionada para a vertente desejada. Mourinho falou num documento que entrega aos tecnicos de futebol de formação dizendo qual a informacao que pretende e como quer que ela seja transmitida, e para mim isso é fundamental. Se num ano forem observados imaginemos 5000 jogos e forem seguidos 3200 jovens é necessário uma forma de passar a informacao para o gabinete "mãe" da formação de forma simples e de facil processamento. A criação de uma base de dados "online" é extremamente necessária, pois facilita o feedback entre observadores, directores de prospecção das "regiões" e gabinete do futebol de formação.
Montado este esquema é necessário olharmos para a vertente jogador, que no fundo é o objectivo deste projecto.
É extremamente necessário criar o perfil de "jogador tipo" , principalmente na vertente psicologica. Ou seja, estabelecer padrões psicologicos do tipo de jogadores que se procuram, pois em termos técnicos os jogadores podem diferenciar muito uns dos outros, sem significar falta de qualidade. É necessário procurar jogadores fortes mentalmente, que sejam apaixonados pelo futebol, que estejam preparados para sofrer e sobretudo que demonstrem humildade.
Traçado também este perfil é necessário criar um sistema de treinamento "base" para os escalões de formação, de forma a conseguir a maxima rentabilidade do treino e conseguir criar habituação e base de treinamento nos proprios atletas. Para que isto seja possível é necessario a contratação de especialistas em alto rendimento desportivo, como grande exemplo Rui Faria do Chelsea.
Após a montagem do sistema de treino, é também necessário estabelecer um sistema táctico padrão para todas as equipas de formação do clube. Um sistema que seja agradável ao publico, que dê prazer aos jogadores, que seja eficaz , e que torne possível encaixar jogadores que jogam em variadissimas posições e com variadissimas caracteristicas diferentes. O 4x3x3 com algumas nuances parece-me o melhor sistema. Depois a habituação dos jogadores á posicao 2,5,8,10 etc...é uma consequencia e os jogadores ficarão a saber exactamente o que fazer em campo. No entanto penso, que por vezes será aconselhável a quebra de rotina do sistema como forma de não "mecanizar" os jogadores tacticamente, tornando estes mais débeis em outros sistemas. Ou seja, defendo 1 sistema unico, mas com nuances e quebras de rotina que permitam obter dos jogadores polivalencia tactica.
Para os jogadores em si, é necessário criar regras rígidas de conduta, é necessário apostar também na vertente cultural (apoiar os estudos) como forma de tornar os jogadores mais astutos e defender o seu futuro, caso este não passe pelo futebol. É necessário aulas de "incutimento" da mística e das caracteristicas do proprio clube. É necessario alerta-los que a vida deles pode não passar pelo futebol e que devem estar preparados mentalmente para isso. É necessário faze-los ter contacto com as figuras principais do futebol principal e da historia do proprio clube, para lhes incutir ainda mais o orgulho de pertencerem ao clube. É necessário também um acompanhamento psicológico aos atletas, sendo necessário para isso a contratação de especialistas nessa matéria, pois os miúdos que saiem de casa novos ou que enfrentam outro tipo de problemas precisam de apoio e de um suporte "quase" familiar" bastante grande.
Por fim é necessária a articulação entre o futebol de formação e o profissional. Ou seja é necessária a articulação de filosofias de ambos. Com isto eu quero dizer que é necessário estar estabelecido no futebol profissional uma política de aposta na cantera, no caso da geração benfica está estabelecido 3 jogadores da formação para o futebol profissional por epoca, mas há muitas outras soluções. É muito importante que o departamente de futebol profissional escolha os tecnicos principais de acordo com os parametros estabelecidos no futebol de formação. Ou seja que se encaixe nos moldes tacticos que os miudos vão aprendendo na formação (ex: 4x3x3), e que tenham uma veia apostadora nos jovens, pois sem estes 2 factores irá haver um grandioso choque entre formacao e equipa profissional.
Penso ainda que apesar de dispendiosa, é importante a criação de uma equipa B, não para rodar jogadores da equipa principal, mas sim para fazer a ligação entre futebol junior e futebol senior.
Assim, finalizo dizendo que Antonio Carraça e o projecto Geração Benfica, me parece um projecto ambicioso,sólido, inovador no ambito nacional, e com uma taxa de sucesso que me parece que irá ser elevadíssima. Parabens ao senhor Carraça, pois parece-me que é este o caminho a seguir por parte do futebol nacional, um pouco á imagem do que já se passa na Holanda e em outros países. O Futebol jovem deve , e terá que ser forçosamente no futuro, encarado como o meio "principal" para fugir aos problemas financeiros que assolam os clubes, mesmo que as recentes regras impostas no futebol nem sempre defendam as equipas formadoras. Mas, já paira no ar a informação que isso irá mudar a breve prazo!