23 junho 2008

Considerações sobre o Euro 2008 (1)

Férias! Finalmente...
Com as férias surge o tempo para descansar, para ler todos aqueles livros que ainda não tive oportunidade de ler, surge o tempo para escrever neste meu espaço que vai sendo abandonado por períodos incertos de tempo.

Com as férias surgiu também o Euro, competição que tenho acompanhado com particular atenção e como tal deixo algumas considerações.

Considerações sobre o Euro

No arraque da prova decidi (como já vem sendo hábito) fazer umas apostas entre amigos.
Estabeleci favoritos, deixando-me levar pelas escolhas que á partida seriam mais “seguras”: França, Italia, Alemanha e Portugal.
Contudo na hora de definir resultados, eliminatórias, etc, fiz um estudo das equipas e tirei algumas conclusões prévias:

Grupo A
No grupo de Portugal, a Rep Checa não era tão forte como se dizia na imprensa desportiva. A falta de criativos (ausências de Nedved e Rosicky), os anos a pesar em Koller e um meio campo que iria ter dificuldades em fazer a ligação com o ataque, pareciam-me pontos difíceis de ultrapassar.
Por seu turno Portugal suscitava-me algumas dúvidas e deixei-me mesmo invadir por uma onda de pessimismo, mesmo colocando Portugal nas meias finais. A falta de jogo colectivo assustava-me.

Grupo B
A Alemanha parecia-me a grande favorita. Uma equipa experiente, forte fisicamente, de processos simples mas muito fria e calculista.
Olhava para a Croácia como uma selecção para dar nas vistas. Um meio campo jovem, irrequieto, dinâmico e criativo assente na segurança defensiva e experiência de Kovac.

Grupo C
O grupo da morte. Não quis constatar o óbvio: o excesso de veterania Francesa e as invulgares debilidades na defensiva Italiana. Assumi estas duas equipas como as grandes favoritas.
A Holanda não me inspirava confiança. Qualidade ofensiva mas uma equipa algo jovem e com nomes pouco consensuais na defensiva.

Grupo D
Uma Espanha favorita mas que possivelmente iria falhar nos jogos a eliminar, sobretudo por ser uma equipa baixa e sem grande qualidade defensiva.
As restantes equipas deixaram-me na dúvida. Não conseguia assumir um favorito tendo optado pela Suécia embora o meu instinto e o nome Hiddink apontassem para a Russia.

Estas foram as minhas apostas.
Contudo o Euro reservou-nos alguma surpresas positivas outras negativas.
Deixo então algumas notas soltas:

Portugal
Começo pela nossa selecção.
O primeiro jogo de Portugal criou uma onda de euforia enorme. Bom Futebol, frescura física, o influente Deco a aparecer em grande forma. Logo ali assumimo-nos como favoritos.
Tinhamos uma defesa sólida e rápida, um meio campo dinâmico (a grande 2ª parte de Moutinho), um ataque imprevisível e a ligação entre sectores parecia estar a resultar.
Contudo, e ao contrário da maioria, o 2º jogo de Portugal satisfez-me mas não me convenceu. Portugal não dominou, teve até dificuldade em impor o seu jogo perante uma Rep Checa bem organizada defensivamente. A vitoria apareceu, Portugal fez uma exibição qb mas ficaram claras as dificuldades que poderiamos ter perante uma equipa bem organizada defensivamente que soubesse explorar bem o contra-ataque, algo que a Rep. Checa nunca soube faze-lo.
Depois veio a traição de Scolari (não se pode exigir aos jogadores que pensem em contratos depois do Euro..quando ele próprio assumiu um compromisso que foi tornado público durante a competição), o jogo com a Suiça que não permitia tirar conclusões.
O grande desafio de Portugal chamava-se Alemanha.
A pressão exercida a Ricardo antes do jogo deixava-me arrepiado, pois Ricardo nunca soube lidar com pressão e sobretudo com críticas. Contudo e pela excelência técnica do nosso Futebol acreditava na vitória.
Com os primeiros 15,20 minutos de jogo abateu-se sobre mim uma profunda desilusão. Ao contrário do que seria de esperar, Portugal não estudou da melhor forma a equipa alemã (mesmo tendo em conta as alterações no seu sistema táctico) e como tal não estava a procurar explorar as suas debilidades.
Poderiamos e deveriamos ter convidado a Alemanha a sair com a bola pelos centrais e logo ali..uma forte pressão levaria a erros e perdas de bola. Os centrais alemães não são mais do que dois calmeirões lentos e com pouca qualidade técnica, estava ali a primeira oportunidade para explorar as debilidades Germânicas. Por outro lado a asa esquerda Alemã apresentava dinamismo mas muito espaço nas costas o que também deveria ser aproveitado mas apenas o foi de forma tímida.
Ao invês procuramos encaixes no meio campo sem grandes riscos. Encaixes esses excessivos que permitiam, por exemplo, as subidas de Metzelder no terreno ao bom estilo de R Carvalho ou Pepe. A Alemanha estudou Portugal, fechou os espaços centrais impedindo uma posse de bola racional e segura, encostou Friedrich a Ronaldo e esperou pelo erro.
É verdade que dominamos, tivemos mais posse, mais oportunidades. Mas não será sempre esse o nosso discurso no momento da derrota nas grandes competições?
De uma vez por todas temos que perceber que o jogar bem não se limita a posse de bola e 1x1. Existem equipas que abdicam da posse, abdicam de um jogo mais técnico mas pela forma como se organizam, como exploram os erros adversários, como interpretam o seu modelo de jogo, jogam bem, são fortes e são sobretudo eficazes.
Caimos perante a Alemanha, afirmamos pela imprensa superioridade, estética, colocamos em causa a justiça perante uma decisão de arbitragem.
Mas em momento algum referimos que uma selecção de top não comete 3 erros infantis, não cede 3 golos que surgem de 3 erros básicos.

Conclusão: A Alemanha venceu sem encantar. Era um adversário á nossa altura. Mas acima de tudo souberam explorar fraquezas, souberam admitir alguma inferioridade e apostar na organização e paciência para vencer.
Scolari falhou. Parece injusto, parece fácil atacar agora o seleccionador, mas é a minha opinião.
Perante as suas fragilidades, Low alterou o figurino da sua selecção, apostou num plano B.
Portugal optou por jogar da mesma forma como vinha jogando e quando alterou, alterou pouco e mal.
Mas sobretudo o que falhou foi o pouco conhecimento da equipa Alemã que nos levou a desperdiçar a possibilidade de explorar as suas debilidades que durante a prova tinham ficado á vista de todos, falhou as bolas paradas que nos tramam sempre e falhou o plano B que pareceu um plano pouco pensado, desesperado.
Optar por marcação Homem a Homem contra uma equipa bem mais alta que a nossa, nunca em 5 anos ter sido pensada outra forma de defender as bolas paradas que já tinham feito mossa no Euro 2004 e, por último, apostar num plano B com jogadores desposicionados, com adaptações pouco razoáveis... levou-nos á derrota.

Scolari sai. Nunca fui seu fan mas reconheço um trabalho de fundo muito importante que fez por nós.
Acabaram-se os lobbies clubísticos na selecção, os Portugueses uniram-se em torno de uma bandeira.
Como pontos negativos alguns discursos pouco inteligentes, a falta de visão no banco e sobretudo a teimosia. Desde 2003 que dispomos de uma geração de jogadores talentosos, experientes a nível internacional, habituados a ganhar e á pressão. Não materializamos numa grande conquista, é pena.

Agora espero por Pekerman.
Zico ainda não provou nada. Queiroz e Mourinho não me parecem acessíveis. Manuel José nunca me convenceu. Pekerman é um estudioso, alguém que procura apostar nos jovens (temos cantera para isso), um treinador que aposta num futebol coerente mas vistoso.
Dos nomes falados seria a minha opção...


As considerações sobre o Euro continuam brevemente...................

2 comentários:

strike disse...

olá nelson........bom post como sempre!.......tens de vir actualizar o blog mais assiduamente.

Bruno Pereira disse...

Boas Nelson!

Saudades de te ver escrever!

Bom post como é habitual.